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Lua, 17.
Minhas palavras são minha alma, e, quando as deixo ir, alguém as segura, como um balão de hélio prestes a fugir do braço de uma criança. E então ele terá um pedaço de mim pairando sobre ele. E então ele me deixará segurar sua mão. E minhas palavras serão minha alma, viajando entre dois.
Porque o programa ideal para uma sexta feira deve ter:

- uma bebida (café, aconselho)
- um relatório para terminar
- comida.

Tirar uma soneca é sempre tão arriscado. Quando eu vou acordar? Em 30 minutos? Em 2 horas? Em 7 anos?? Ninguém pode ter certeza.
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Hoje surtei com o branco das paredes, com o silêncio calmo demais, com o quadro esquisito sobre minha cama, com toda essa mesmice tediosa e sufocante. Onde está o tal quadro que eu disse (há 4 meses) que faria pra mim? Cadê aquela decoração nova que tava planejando? Onde foi parar meus textos semanais e toda aquela imprevisibilidade que fazia eu ter ânimo por mais um dia?
- Talvez amanhã eu saia para um lugar novo;
- Talvez sábado que vem eu tente aprender uma música nova;
- Talvez próximo mês eu gaste menos dinheiro;
- Talvez ano que vem eu comece alemão…

Talvez, talvez e chega desse loop de “talvez’es”.

Amanhã eu certamente termino esse relatório giroscopial, e certamente estudo o quanto der, e certamente recomeço a viver.
Mas por hoje chega desse papo físico, preciso deixar de girar e me apagar.

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Lua, a que já foi flor. (26/09/14)
"Minha solidão nem está presa e restrita a mim e somente a ela, talvez eu não seja tão solitária contigo e com ele e comigo, e que diferença faz se sorrio ou se me retiro desses confins confinados em códigos e caracteres amontoados e despejados.
Que diferença faz um nome ou outro, eu ou ela, ou nós duas?
Que destino se dá a uma personagem que já não está mais nessa peça?
Algumas flores murcham, e outras nascem, e algumas pessoas nem assistem a tudo isso. E algumas vidas passam. Mas a Lua assiste tudo, desde que se separou da sua velha mãe. Alguns impactos são intensos para um só corpo, e ele se divide.
E nasce eu.
E morrerei eu.
Lunática e errante, trôpega.
Só eu, enfim."
Lua, a que já foi flor. (24/09/14)